Curso Online: Linguagem e Memória na Longevidade – ampliando possibilidades

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DESCONTOS:

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Datas:

Quintas-feiras:

29/10 – das 19h às 21h30

05/11 – das 19h às 21h30

12/11 – das 19h às 21h30

 

Carga horária: 7,5 horas

 

Objetivos

Compartilhar uma perspectiva mais inventiva e prospectiva com relação à memória e à linguagem da pessoa idosa no sentido de contribuir com a desconstrução de estereótipos e com a constituição de instrumentos, atitudes e estratégias potencializadoras de interações dialógicas significativas, positivas e agradáveis entre cuidadores, profissionais, familiares e pessoas longevas.

 

Módulo I

  • Reflexões acerca da constituição social de sujeito, linguagem, memória e suas inter-relações.
  • A atitude estética como potencializadora de um envelhecer criativo e prospectivo.

 

Módulo II

  • Estratégias cotidianas contextualizadas – facilitadoras de resgate e evocação de lembranças.
  • Motivos e formas de lembrar e esquecer – histórias que inauguram possibilidades.
  • Maneiras de contar, fazer e registrar memórias.

 

Módulo III

  • Interações discursivo-dialógicas mediadoras da linguagem oral, escrita e/ou gestual.
  • O inesperado como impulso à livre invenção e expressão.
  • Construção de sentidos a partir do conviver.

 

 

As aulas acontecerão online ao vivo nos dias e horários especificados acima pelo Google Meet. As instruções para usar a plataforma e o Manual do Aluno são enviados por e-mail uma semana antes do curso começar!

 

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Descrição

O envelhecimento da população encaminha novos pedidos para a sociedade. Avanços na medicina e melhoria nas condições gerais de saúde têm alongado os anos vividos e proporcionado a pessoas idosas um protagonismo cada vez maior na biografia contemporânea. No entanto, se por um lado o aumento da expectativa de vida germina entusiasmo, por outro, irriga o medo da doença, da dependência, do esquecimento.

Esquecer… Eis a assombração imaginária do envelhecer. Esquecer as chaves do carro, o ferro ligado, uma data importante, o número do telefone, o que fez no dia anterior, o que comeu no almoço. Esquecer as conversas recentes, a palavra certa, o uso dos objetos, o caminho de casa, a fisionomia no espelho, o nome – esquecer a si mesma/o.

Com a promessa de tanta deslembrança, desajuste, debilidade, de, de, de… A pessoa idosa é facilmente deslocada para um cenário de desvalor e descrédito. Isso porque, na fantasia de grande parte da população, a capacidade de memória relaciona-se exclusivamente ao funcionamento biológico e, de acordo com certo discurso instituído, necessariamente declina, ou seja, presume-se que quanto maior a idade, menor a lembrança.

Curioso pensar que costumamos ser generosas/os quando uma criança se esquece de amarrar o tênis, porque entendemos que ela não tem o compromisso de lembrar-se de tudo. O mesmo ocorre com a pessoa adulta quando não se recorda onde deixou o celular – justificamos o deslize através da sobrecarga de afazeres, cansaço, estresse. Para a pessoa mais velha não há clemência, se esqueceu de algo é porque está ficando “coroca”. E a idosa/idoso aceita e incorpora tal discurso preconceituoso e depreciativo como seu. As histórias que viveram, as quais garantem continuidade aos que virão, são relegadas a um segundo plano e cedem lugar à preocupação com a “hora do remédio” que teima em escapar da lembrança.

É como se o lembrar/esquecer na velhice não guardasse relação com a subjetividade e/ou com as emoções/motivações, tampouco com os sentidos que atribuímos a nossas interações e ao mundo que nos rodeia, mas tão somente à degeneração cronológica do corpo – considerada inevitável.

Evidente que não se pode negar a existência de algumas enfermidades que, de fato, contribuem para a desmemória das pessoas que envelhecem e que merecem cuidado e atenção especiais. No entanto, mesmo nestes casos, acreditamos que é possível uma paisagem do envelhecer menos organicista e mais histórica, social e cultural – cujo horizonte reluz a solidariedade existente entre linguagem e memória e compõe um feixe de processos abraçados: cognitivos, biológicos, culturais e linguísticos.

Assim, a partir de uma abordagem histórico-social de desenvolvimento, consideramos que tanto a linguagem quanto a memória têm natureza social e dependem mais da qualidade das vivências proporcionadas às pessoas longevas do que da integridade cerebral propriamente dita. E esta qualidade, a nosso ver, encontra amparo na dimensão estética da humanidade – aberta, desinteressada e disponível para os efeitos que a expressão de outra pessoa produz em nós, em nossa percepção e em nossos sentimentos.

Outro aspecto importante que esta perspectiva nos permite pensar é que a possibilidade de significar (dar sentido, interpretar e fazer-se entender) de cada pessoa passa a existir pelo significado que as/os outras/os atribuem às suas expressões. Inseridas/os em um mundo simbólico/linguístico encontramos na linguagem a gênese do significado de nós mesmas/os e de nossos pensamentos.

Compreendemos que a subjetividade das pessoas não existe a priori, mas concretiza-se no processo de internalização das práticas sociais/culturais, evidenciando que nossa constituição acontece de modo partilhado. O dizer, as ações e os pensamentos de outras pessoas constróem, através de um processo mais ou menos criativo,  aquilo que dizemos e pensamos sobre o mundo e sobre nós mesmas/os. Tal movimento marca a forma como atuamos na realidade.

Neste sentido, pressupomos que desmontar a ideia de que a memória fatalmente degringola com o passar da idade contribui sobremaneira para uma existência mais potente e menos discriminatória na velhice. Além disso, acreditamos que compartilhar instrumentos/estratégias dialógicas e atitudes estéticas/criativas que ampliem as possibilidades da pessoa idosa de interagir por meio da linguagem – constituindo sentidos que garantam um ser e estar no mundo mais satisfatório – pode auxiliar cuidadores, familiares, profissionais e longevas/os a um melhor convívio.

 

 

Docente

Cinthia Lucia de Oliveira Siqueira

Graduada em Fonoaudiologia pela Universidade de São Paulo (USP – 1995). Especialista em Linguagem (1998) e Mestre em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP – 2003). Doutora em Psicologia pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP-Assis – 2019). Lecionou as disciplinas de literatura e teatro na Universidade Aberta à Terceira Idade (UATI) do Centro Universitário das Faculdades Integradas de Ourinhos (UNIFIO) tendo colaborado na organização de livros e na produção de espetáculos junto às estudantes. Nesta mesma instituição atuou como professora de graduação (licenciatura em Artes Visuais e Pedagogia) e pós graduação (especialização em Formação Docente do Ensino Superior) nas disciplinas de perfil profissional docente, didática, metodologia do ensino e interdisciplinaridade. Tem experiência em oficinas criativas e de desenvolvimento humano voltadas a crianças, adolescentes, adultos e idosos e em cursos de formação de professores. Desenvolve pesquisa nos seguintes temas: envelhecimento, desenvolvimento humano, leitura e escrita, memória, linguagem e história oral. Contadora de histórias e atriz, mantém projetos culturais e educativos desde 2010. Atualmente integra o quadro de docentes da Universidade Estadual do Centro Oeste do Paraná (UNICENTRO) na qualidade de professora adjunta do Departamento de Fonoaudiologia na área de fonoaudiologia educacional.

 

 

Certificado será encaminhado após a conclusão do curso

 

 

Contato

cursos@portaldoenvelhecimento.com.br

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